O desenvolvimento posterior e a adoção de fontes mais baratas de \definition{energia
limpa}{clean energy} podem ser capazes de reduzir essas limitações
.
A tecnologia ainda está em seus estágios iniciais e, embora a maioria dos cientistas
concorde que a carne cultivada seria menos prejudicial ao meio ambiente do que a carne bovina, não podemos depender dela para resolver os problemas associados ao consumo de carne. Portanto, mudar para carnes de menor impacto (como o frango) e proteínas de origem vegetal permanece, ainda, uma opção mais sustentável 
.
Podemos fazer carne utilizando plantas?
Em todo o mundo, há uma corrida para desenvolver alternativas convincentes de carne usando plantas. Muitos já chegaram aos supermercados, desde hambúrgueres que
“sangram” suco de beterraba 
até “ovos” feitos de feijão-mungo
.
Ao combinar e processar ingredientes de origem vegetal, essas empresas esperam criar
alimentos ricos em proteínas com o mesmo sabor e textura dos produtos de origem animal, sem o impacto ambiental
.
Para fazer isso, os pesquisadores precisam entender a carne em escala molecular. Por exemplo, a empresa de carnes vegetais Impossible Foods identificou uma pequena molécula rica em ferro chamada heme como um componente chave da carne animal
. Heme é a molécula que transporta oxigênio pelo corpo e é superabundante no músculo animal
.
O heme também é encontrado naturalmente nas plantas de soja, em uma proteína chamada leg-hemoglobina
. Ao combinar esse heme à base de plantas com proteína de soja e batata, junto com óleos vegetais e aglutinantes
, a equipe produziu um hambúrguer carnudo que usa 96% menos terra, 87% menos água e causa 89% menos emissões de gases de efeito estufa
.
Para fazer heme suficiente com baixo custo e mínimo uso da terra, a empresa conta com um fungo especial: a levedura
. Ao inserir o gene do heme da soja nas células de levedura, o fungo pode ser “ensinado” a produzir a molécula 
. A levedura é, então, cultivada em um biorreator, semelhante ao usado para crescer carne de laboratório
, e começa a produzir heme em escala industrial
.
Como os fungos podem fazer carne?
O uso de micróbios para fazer comida humana não é novidade
. Por séculos, temos contado com eles para todo tipo de produto, do pão à cerveja e ao iogurte 
! Micróbios também são usados na biotecnologia industrial para produzir vários medicamentos e aditivos alimentares
.
Impossible Foods não é a única equipe que usa leveduras geneticamente modificadas para imitar produtos de origem animal. Por exemplo, a Perfect Day Foods desenvolveu produtos lácteos usando microfungos
, e a Clara Foods
espera usar levedura modificada para fazer ovos livres de componentes animais
.
Micróbios podem ser geneticamente modificados para produzirem moléculas específicas com relativa facilidade
. Mas as proteínas comestíveis também podem ser produzidas por fungos sem engenharia genética.
A micoproteína encontrada no Quorn é produzida naturalmente
por um fungo do solo
. A micoproteína é uma das alternativas mais eficientes aos produtos de origem animal em termos de uso de terra e água
e contém mais proteína do que muitas outras fontes de proteína de origem vegetal
.
11% do impacto geral do Quorn vem do cultivo de safras, principalmente trigo, para
alimentar o fungo
. Em vez disso, cultivar esse fungo em resíduos orgânicos reduziria ainda mais o impacto ambiental dessa proteína
.
Até agora, todas as fontes de proteína que discutimos usam plantas em algum ponto ao
longo da linha de produção – até mesmo o lixo orgânico usado para cultivar micoproteínas é feito de plantas.
As plantas geralmente estão na base da cadeia alimentar porque obtêm sua energia diretamente do sol
. No entanto, elas não são muito eficientes para fazer isso: a quantidade máxima de energia solar que as plantas podem
realmente converter em biomassa é 6%, e geralmente elas convertem muito menos
. Mas e se pudéssemos usar outra coisa para capturar essa energia com mais eficiência?
Fazendo proteína a partir da água e do ar?
E se pudéssemos fazer proteína apenas a partir do sol, da água, de nutrientes básicos e do ar – sem plantas ou animais envolvidos
?
A Solar Foods é uma empresa que tem o objetivo de fazer justamente isso, usando um grupo específico de bactérias que transformam hidrogênio, CO₂ e nitrogênio em proteína
! Como?!
A eletricidade, produzida a partir de painéis solares, é usada para separar a água em hidrogênio e oxigênio
. Esse hidrogênio, então, fornece energia para as bactérias transformarem CO₂ e nitrogênio do ar em proteína 
.
Esse processo é significativamente mais eficiente do que produzir proteína vegetal,
ainda mais de criação animal
! De acordo com a Solar Foods, esse método usa até 100x menos água, 60x menos terra e libera 5x menos de CO₂equivalentes do que plantas
!
Ao reduzir as necessidades de terra para a produção de alimentos, a vida selvagem poderia ser reintroduzida em áreas que haviam sido desmatadas para a agricultura
,
aumentando a capacidade de armazenamento de carbono, a saúde do solo e muitos outros serviços do ecossistema
.
Conclusão
À medida que continuamos a desenvolver esses interessantes substitutos de carne, o sonho de um futuro sem criação animal está se tornando cada vez mais possível. No entanto, algumas dessas inovações requerem uma quantidade considerável de energia, e mais pesquisas são necessárias para que muitos desses produtos sejam amplamente disponibilizados a baixo custo.
Até agora, vimos como a produção de alimentos pode se tornar mais sustentável. E quanto
ao resto da cadeia de abastecimento?
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