Problemas em aberto: Desafios atuais na tecnologia e nas políticas da agricultura
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Atualizado em: 14 Dec 2020
A agricultura tem enfrentado um desafio duplo: produzir alimentos o suficiente para nossa população crescente, enquanto reduz seus impactos negativos sobre nosso planeta. Nesse capítulo, iremos discutir o restante dos problemas que estão entre nós e a agricultura produtiva e sustentável.
Problema 1: A degradação do solo precisa ser interrompida – e logo!
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Descrição
O solo é um recurso essencial que afeta tanto a produtividade das lavouras quanto as mudanças climáticas . Porém, nossos solos estão erodindo pelo menos 10 vezes mais rápido do que são formados
, liberando carbono para a atmosfera e ameaçando a segurança alimentar
. De fato, o custo anual da erosão do solo para o PIB global é estimado em 8 bilhões de dólares
!
Ensinar para os agricultores sobre a importância de práticas não danosas ao solo, como o plantio direto, a rotação de culturas e a agrossilvicultura, será essencial se quisermos conservar esse valioso recurso . Compartilhar conhecimento entre pesquisadores e agricultores irá permitir aos agricultores adequar suas práticas ao solo específico em que suas lavouras estão instaladas, visando obter máxima produtividade
.
Entretanto, agricultores podem se opor à substituição das práticas tradicionais, e os benefícios econômicos de muitas das estratégias de conservação podem levar vários anos para serem observados . Assim, incentivos governamentais e financiamentos serão necessários para que essas práticas sejam amplamente adotadas
.
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Problema 2: Agricultores precisam de incentivos e treinamento para adotarem a agricultura de precisão
O que o mundo precisa para resolver esse problema:
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A agricultura de precisão tem potencial para reduzir os custos tanto econômicos quanto ambientais das lavouras, através da otimização da produtividade do cultivo e da redução as perdas . Apesar disso, a adesão a essas tecnologias (com exceção dos sistemas de GPS) tem sido relativamente lenta, em especial em países em desenvolvimento.
. Por quê?
Embora a adesão a essas técnicas eventualmente vá aumentar a renda dos agricultores, muitos não conseguem bancar os custos iniciais desse investimento. . O desenvolvimento de tecnologias mais baratas, assim como os incentivos governamentais e os financiamentos para estimular seu uso serão necessários para uma maior adesão a essas técnicas
.
Muitos agricultores evitam o uso de tais tecnologias por achá-las muito complexas . Desenvolver produtos mais acessíveis e promover mais treinamentos aos agricultores poderia remover essa barreira
.
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Problema 3: OGEs precisam ser melhor compreendidos
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Nós discutimos as vantagens dos OGEs tanto para as pessoas quanto para o planeta, , mas muitos indivíduos ainda se opõem ao seu uso. Por exemplo, 47% da população chinesa possui uma visão negativa sobre engenharia genética
, e 39% dos norte-americanos pensam que OGEs apresentam um risco para a saúde humana
. Geralmente, isso se dá pela falta de comunicação clara entre os cientistas e o público
. O ensino de engenharia genética à população tem demonstrado aumentar as percepções positivas quanto aos OGEs
. Então, o que precisa ser feito?
Primeiramente, nós precisamos ampliar a percepção pública sobre a importância de OGEs para a saúde humana e ambiental ;
Em segundo lugar, precisamos impedir a divulgação de informações incorretas e inverter a image de OGEs na mídia ;
Em terceiro lugar, cientistas precisam facilitar o acesso a suas pesquisas, e o público precisa se engajar ativamente ;
Por fim, também é importante que os regulamentos que restringem o uso de OGEs sejam revisados conforme desenvolvemos novas técnicas e criamos novos produtos .
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Ampliando a percepção sobre OGEs
Problema 4: OGEs precisam ser mais acessíveis aos agricultores
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A maioria das sementes de OGEs são protegidas por patentes – leis que impedem outras pessoas de usarem certas tecnologias sem permissão . Essas leis servem, supostamente, para encorajar a inovação, impedindo outras empresas de lucrarem indevidamente em cima do trabalho árduo do autor
.
Em muitos casos, para usar sementes patenteadas, agricultores precisam concordar em apenas plantá-las em uma única época e não armazenar nem vender as culturas resultantes para replantio . Para assegurar que os agricultores cumpram essas regras, as sementes são, em geral, geneticamente modificadas para que as características alteradas não sejam passadas para as gerações futuras da planta
. Isso obriga os agricultores a depender dos fornecedores das sementes, dando a essas companhias muito poder sobre o acesso às tecnologias de engenharia genética
.
Desde 2018, quatro companhias são responsáveis por mais de 50% das vendas globais de sementes ! Com baixa competição com outros fornecedores de sementes, essas companhias podem elevar o preço de seus produtos sem o risco de seus compradores buscarem fontes mais baratas
.
Para evitar que essas grandes companhias tomem controle total do fornecimento global de alimentos, os governos precisarão introduzir políticas para restaurar a competição no mercado de sementes agrícolas, evitando a fusão entre grandes companhias de sementes e apoiando o crescimento de novos fornecedores .
O desenvolvimento de sementes OGE de “código aberto” e bibliotecas de sementes também tornarão essas tecnologias mais acessíveis, assegurando que elas estejam disponíveis onde são mais necessárias .
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Problema 5: A agricultura vertical precisa de melhores luzes de LED
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Fazendas verticais requerem muita energia para manter as condições ideais de crescimento para as plantas durante o ano todo . 70% do consumo energético das fazendas verticais é usado para iluminação
. A iluminação pode liberar calor, o que não apenas gasta energia mas também cria temperaturas inadequadas para o crescimento das plantas
.
Luzes de LED mais eficientes têm sido desenvolvidas para apenas emitir o espectro de luz absorvível pelas plantas . Isso reduzirá a quantidade de energia luminosa desperdiçada que é refletida pelas plantas
. Com mais estudos, essa tecnologia pode ser empregada de forma mais barata e ajustável às diferentes fases do ciclo de crescimento da planta.
LEDs mais eficientes também liberam menos calor , porém, é difícil eliminar completamente essa produção. Ao invés disso, o excesso de calor poderia ser usado para aquecer outras partes do edifício onde o cultivo está instalado
. Para isso, pesquisas sobre engenharia de sistemas de distribuição eficiente de ar serão necessárias.
Se fazendas verticais adotarem fontes de energia sem emissões de carbono, suas pegadas de carbono serão reduzidas ainda mais.
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Problema 6: A carne artificial precisa se tornar comercialmente aceitável
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A carne artificial é mais de cinco vezes mais cara do que
a carne moída . O meio de cultura representa 80% desse custo
. Assim, produzir meios de cultura mais baratos deveria ser o principal alvo de estudo.
Além disso, para enfrentar o custo ambiental desse processo altamente energético, produtores precisarão adotar fontes energéticas que não emitam carbono .
A tecnologia para carnes cultivadas em laboratório ainda está em seus estágios iniciais. Estudos serão necessários para reduzir os custos econômicos e ambientais desse processo por meio do desenvolvimento dos materiais brutos e dos investimentos energéticos necessários. .
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Problema 7: Nós precisamos aderir a dietas mais sustentáveis
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Ao retirar produtos de origem animal de nossas dietas, reduziríamos as emissões de gases de efeito estufa do setor alimentício em aproximadamente 50% . Entretanto, em muitos estudos, menos de 35% das pessoas em países em desenvolvimento estão cientes dos impactos ambientais de comer carne
. Uma comunicação mais transparente dos impactos na saúde e no meio ambiente de diferentes alimentos serão importantes para dar autonomia às pessoas para escolher alimentos mais sustentáveis
.
Dietas sustentáveis devem ser acessíveis e fornecer os nutrientes certos em quantidades adequadas, ao mesmo tempo em que apresentam um impacto mínimo sobre o meio ambiente . Apenas a mudança de carne bovina para carnes de menor impacto, como aves e peixes, já causa uma grande diferença na nossa pegada de carbono
.
Muitos acreditam que, para obter uma dieta à base de plantas balanceada, é preciso gastar muito dinheiro . Colocar um preço nos alimentos que reflita o custo ambiental de seu processo de produção removeria barreiras financeiras sobre adotar dietas sustentáveis
. Por exemplo, se os governos introduzissem uma taxação sobre produtos à base de carne, consumidores podem se tornar mais dispostos a comprar alternativas de origem vegetal
.
Incentivos e consciência, em conjunto com o melhoramento de sabor e textura das alternativas à carne, serão importantes para incentivar mais pessoas a aderir a dietas sustentáveis.
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